Praga
Chegando a Praga lembrei-me de minha amiga Ana, que em várias ocasiões reiterou seu desejo de visitar a cidade. Talvez ela fosse inspirada pelos manuais de turismo que trazem dizeres como:
"Esta capital eslava milenar, centro de gravidade do Oriente às portas da Alemanha, deslumbra o mundo por sua riqueza arquitetônica, política e de costumes."
Num primeiro contato, superficial, o que eu vi mesmo foi lixo. Lixo por toda parte, transbordando das lixeiras, entupindo os bueiros e interpondo-se aos meus passos de modo a convertê-los invariavelmente em chutes.
Depois, removendo a camada de lixo, há, claro, os turistas. Em bandos, corjas, legiões, HORDAS. Toneladas deles por toda parte, encarecendo os produtos, tumultuando o trânsito, banalizando o patrimônio histório e, naturalmente, jogando lixo pelo chão.
E quanto ao ancestral e ordeiro povo tcheco?, você pergunta. Os tchecos, como não chega a surpreender, ODEIAM os turistas. Eles têm total consciência da baderna causada pelo turismo de massa e, a menos que sejam donos de alguma rede de hotéis ou restaurantes, não parecem perceber nenhum efeito positivo do fenômeno. E eles não fazem o menor esforço pra esconder este fato: mesmo para os proverbiais padrões eslavos de polidez, eles em geral surpreendem por sua impaciência ou irritação ao serem interpelados, ainda que você esteja tentando comprar alguma coisa que eles estão vendendo. À exceção dos jovens, eles não falam inglês nem muito menos alemão; alguns falam eslovaco ou russo, se ajudar. Incluam-se aqui os funcionários de guichês de informação, que freqüentemente só fornecem esclarecimentos e material impresso em tcheco. Aí é so se divertir!
(continua)
Thursday, September 30, 2004
Subscribe to:
Post Comments (Atom)
No comments:
Post a Comment