Novembro
Novembro pra mim é um mês com cara de quinta-feira. É inevitável ficar pensando no final de ano, férias, Verão (sim, no RJ!); felizmente entre um devaneio e o seguinte tem uns espacinhos pra fazer algum trabalho.
A minha pesquisa finalmente caiu em rotina depois que o Donaldson (meu orientador) me disse exatamente o que ele queria que eu estudasse, em vez de ficar falando palavras difíceis que eu não entendia. Agora eu tenho uma bibliografia de umas 1000 páginas pra ler (e entender, que é o pior) até o final desse ano (letivo, ou seja, até Junho de 2005). Parece pouco, mas pra ter uma idéia do que é ler matemática, imagine que as 1000 páginas estejam em chinês... às vezes dá pra passar a tarde inteira olhando pra uma equação, olhar as páginas anteriores, olhar as seguintes, olhar a bibliografia de referência, aí as letrinhas e símbolos começam a girar na página, aí eu me lembro de uma história da infância, aí eu olho pra página uma última vez, mas já passou o dia todo e está na hora de ir jantar/dormir/surrar alguém no Aikidô.
Aliás, falando em Aikidô, meu grupo em Londres tem uma inovação incrível, que são as aulas "informais" na hora do almoço. Três vezes por semana, de 1:00 às 2:00 da tarde, tem treino sem instrutor, ou seja, quem aparecer treina o que quiser, supervisionado apenas pelo aluno mais graduado que vier. Em geral quem aparece são alunos menos graduados, porque os graduados fazem estilo blasé e só aparecem nos treinos formais à noite. Claro que em termos de arte marcial um treino sem professor é um tanto questionável, mas é uma mão na roda quando o dia começa mal, cinzento, de mau humor... é só dar uma passadinha lá, massacrar o pobre coitado que estiver mais próximo e todos os problemas desaparecem! O resto do dia rende que é uma beleza. É a magia do Aikidô.
Ainda falando de Aikidô, tive uma experiência chata no fim de semana passado, quando fui a Cambridge e aproveitei pra treinar com meu grupo antigo. Acontece que na saída todo mundo vai pro Pub do outro lado da praça, e o Sr. Glyn Davies, um dos instrutores assistentes, estava atravessando a rua de bicicleta e foi atropelado! Bem na minha frente, eu assisti a tudo... argh. Com direito a bicicleta voar no ar, bastante sangue, inconsciência temporária... foi bem assustador. E como eu fui o primeiro a chegar porque tivesse saído do ginásio com ele, eu é que tive de dar os primeiros socorros, o que, no meu caso, significou impedir que os transeuntes idiotas o sacudissem, mexessem no pescoço dele etc, além de recrutar pessoas em volta pra chamar ambulância, anotar a placa do taxi que o atropelou, ir avisar o pessoal no ginásio e os que já estavam no pub... enfim, foi bem tenso. Só deu uma aliviada no final, quando ele estava sendo levado de maca para a ambulância e acordou totalmente; a única coisa que ele disse, algo britanicamente, foi: droga, eu realmente queria aquela cerveja.
No domingo o Simon, nosso instrutor, enviou um email a todos descrevendo o quadro, e felizmente não houve nada grave. Quer dizer, ele ficou bastante estropiado, quebrou um monte de partes que eu não sei traduzir, mas não houve nenhum dano interno ou coisa mais preocupante.
Agora eu estou tentando concentrar-me pra terminar de escrever um artigo com chance de publicação e preparar uma palestra sobre o mesmo, a ser apresentada ao pessoal que está numa conferência de Computação Quântica (!) em Cambridge. São os resultados daquele projeto de verão com o qual eu me sustentei nas férias, deixando livre o dinheiro dos meus pobres pais para eu fazer todas as viagens legais que vcs acompanharam por este blog.
Por isso mesmo, tchau.
Wednesday, November 24, 2004
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