15 de Dezembro a 10 de Janeiro
Estou no Rio!
Perdi a memória do meu celular antigo, então não tenho mais o telefone de muitos de vcs. O que é muito conveniente por um lado (me dispensa de ligar pra todo mundo que eu conheço), mas por outro, se vcs não me ligarem eu vou ter que ir bater às suas portas... snif...
Pois bem, o meu número não mudou, então mexam-se: 99591176!
Wednesday, December 15, 2004
Friday, December 10, 2004
Baixaria
Pra quem acha que brasileiro gosta mesmo é de uma baixaria, aqui vai mais um exemplo. É um pouco comprido, mas pode ser divertido ler até o final.
Tudo começou quando a lista de discussão por email da ABEP (Associação Brasileira dos Estudantes de Pós-graduação no Reino Unido) resolveu debater a saída do Carlos Lessa do BNDES, a partir de um artigo da Miriam Leitão. Em reação o meu comentário, que se pode mais ou menos adivnhar qual terá sido, um sujeito chamado Cristian escreveu:
Caro Henrique,
Noto uma correlação entre seu discurso e o de pessoas como o Prof. Fabio Sá Earp. Se ele estiver te copiando (inclusive no jargão), o que não posso acreditar que um intelectual faça, vc deveria processá-lo por plágio -- a não ser que mesmo "como mero estudante de pós-graduação no Reino Unido", vc tenha feito ajudado a "formá-lo" (será ?). Ademais, não acredito em "vacas sagradas" e, especialmente se acompanhei de perto o trabalho de uma pessoa, me permito ter uma opinião.
Aí eu esclareci:
Olá Cristian,
Conquanto sua segunda frase não constitua sentença válida em Português, entendi que vc notou traços de jargão comuns a mim e ao Prof. Fabio Sá Earp, do IE-UFRJ.
Obrigado por alertar-me, vou imediatamente proceder à averiguação; poderia, por gentileza, citar a fonte?
Este evento é de meu imediato interesse, pois não sabia que este senhor se tivesse pronunciado publicamente sobre o mesmo tema, muito menos que usasse os mesmos argumentos, e, mais flagrantemente ainda, os mesmos termos... nem tão surpreendente, porém, se levarmos em em conta os vinte e três anos de convivência, ainda que em guarda partilhada com minha mãe.
Quanto a ações de plágio de ambas as partes, acho que não pegaria bem nas ocasiões de família, mas agradeço a sugestão.
Atenciosamente,
Henrique Sá Earp.
Obs.: Tive a impressão de q vc acreditava na Miriam Leitão.
Apesar de divertida, eu resolvi deixar essa discussão pra lá, porque já tinha dado a minha opinião anteriormente e porque tinha mais o que fazer. Foi aí que todos recebemos a seguinte mensagem de Eduard_tricolor:
Prezado Henrique Sa' Erp,
E' muito facil defender os ideais lessianos quando o proprio pai se beneficia de atitudes autoritarias desse senhor frente ao BNDES. Com certeza, se o meu pai recebesse mais do que R$ 300 a hora-aula para o dito cursinho que a Miriam Leitao aponta na sua coluna, eu tb estaria o defendendo com unhas e dentes. Portanto, nao me venha com discurso de Brasil, quando sabemos que os brasileiros para vcs sao apenas a classe afortunada da populacao brasileira.Felizmente, o PT deu fim a uma ditadura que reinava no BNDES com Lessa e seus amigos. Acabou a farra dos amigos do Lessa e Conceicao no BNDES.Espero que vc tenha um excelente Natal (afinal de contas esse pode ser o ultimo de vacas tao "gordas" com o dinheiro da viuva, pois ano que vem seu pai nao tera' mais a graninha extra do cursinho de lavagem celebral criada pelos pensamentos lessianos).E um prospero Ano Novo (acho que nem tanto, nao e'?)
Abracos, Eduard
(...)
Eu achei muito esquisito; fiquei me perguntando por que esse sujeito teria toda essa raiva do Lessa... seria um dos muitos burocratas de panelinha que o Lessa expurgou do banco, que teria aproveitado a folga pra vir fazer um MBA da vida aqui na Inglaterra? No mesmo dia, recebi uma segunda mensagem, dessa vez no meu email pessoal, não pela lista:
Gostou?
eduard_tricolor [eduard_tricolor@(...).com.br]
To:
Nogueira de Sa Earp, Henrique
Espero que vc tenha gostado do meu e-mail.
Beijos, Eduarda
Note que o autor virou Eduarda, de repente... muito estranho... ainda por cima, o moderador da lista mandou uma mensagem dizendo que muita gente tinha reclamado do baixo nível do cara, que aparentemente criou um email anônimo e se cadstrou no mesmo dia só pra enviar essas mensagens.
Não que um bocó desses me tire realmente do sério, mas eu fiquei alguns dias pensando quão divertido e edificante seria esmagá-lo como um inseto. Por fim:
Caro(a) Eduard(a),
Obrigado por sua segunda mensagem, entitulada "gostou?" (reproduzida ao final), que teve a gentileza de enviar-me diretamente ao meu email pessoal, sem com isso importunar nossos colegas da ABEP mais do que já tem feito.
Como prometido, fiz um breve levantamento do mercado de cursos altamente qualificados no Brasil e tenho algumas novidades e sugestões encorajadoras; a começar:
- R$150/hora-aula - valor médio praticado pelos MBAs de bom nível no Brasil;
- R$240/hora-aula - valor de tabela do BNDES em seus cursos internos de alto nível;
- R$360/hora-aula - valor praticado por MBAs de renome, como o da Fundação COPPEAD.
- U$1000 ou mais - palestra/aula-magna de alto nível em Economia/Finanças.
Eu dou-lhe garantia de que as excelentes oportunidades acima estão disponíveis no mercado a todos; claro que ajuda muito se vc tiver Doutorado em grande universidade brasileira, competência reconhecida publicamente, mais de 25 anos de experiência tanto acadêmica quanto na iniciativa privada e titulação de Professor em um dos maiores Institutos de Economia do sistema universitário nacional (e.g. IE-UFRJ), como calha de ser o caso do meu velho, barrigudo e bondoso pai, Prof. Fabio Sá Earp pra você.
Claro que, para alguém jovem em início de carreira, ou alguém não tão jovem e de segundo time mesmo (tenho certeza de não ser esse o seu caso), os valores podem parecer altos demais, ou mesmo irregulares. Podemos até discutir as enormes discrepâncias brasileiras nessa base, mas o fato é que o preço do profissional no topo do mercado hoje é bem mais alto do que na cozinha.
Quem sabe se vc continuar estudando com afinco vc chega lá. Dá até pra pagar uma operação de mudança de sexo, por exemplo.
Por fim, obrigado por sua atitude venal e seu esforço para baixar o nível, dando-me a oportunidade de permanecer correto e massacrar você publicamente. Só fico com pena do Cristian, de quem eu discordo mas que estava debatendo de forma respeitável, com acidez mas tudo numa boa, e de repente viu-se defendido por um bobão feito vc, que ainda por cima parece ter criado um email anônimo por covardia. Meu irmão, você viajou na maionese feio e perdeu a razão completamente. No entanto, vou continuar sendo um flamenguista politicamente correto e não vou passar a achar que qualquer tricolor é que nem você.
Agora, com sua licença, vamos encerrar esse debate, até pra abrir espaço pra outros colegas que colocaram temas interessantes como reforma do judiciário, etc.
Saudações rubro-negras,
Henrique Sá Earp.
Acompanhando as últimas rodadas do Campeonato Brasileiro fiquei meio ressabiado, dado que a conjuntura rubro-negra não está lá pra muita saudação, mas já estava feito. De qualquer forma, o sujeito tirou o time de campo e nunca mais disse nada.
Desde então recebi dos membros da lista algumas mensagens de apoio e até - pasmem - um currículo.