Wednesday, December 28, 2005

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Neve




Neve. Lotes de neve.

Monday, December 05, 2005

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Só Jesus expulsa os grilhões das pessoas

Na minha qualidade de brasilerio VIP, representante da ABEP-UK no Conselho de Cidadãos do Consulado em Londres, reuni-me na terça-feira passada com dez ilustres integrantes da CPMI da Emigração do Congresso Nacional. Nossos parlamentares, liderados por João Magno (PT-MG), investigam denúncias de discriminação contra brasileiros em países-destino de emigração, sobretudo EUA, Reino Unido, Portugal e Itália.

Destaque seja dado porém àquele que me causou maior espécie... Nossa Eminência Senador Marcello Crivella (PL-RJ)! Percebi que, fluente em idiomas, ele exercia naturalmente a 'liderança moral' da comitiva, e não fiquei surpreso que tenha cabido a ele dirigir-se a nós, não menos ilustres Conselheiros. Surpreso, sim, foi com O QUE ele falou.

A frase de abertura de Crivella foi: "É impossível falar de emigração brasileira sem discutir o neoliberalismo e o impacto das políticas ditadas pelo capiatal financeiro internacional sobre as populações dos países em desenvolvimento." Na seqüência, companheiro Crivella pormenorizou a distinção entre os três Brasis, aquele das 10000 pessoas que detém R$800 bilhões de reais em patrimônio e dos grandes bancos privados, aquele dos 10 milhões de pessoas de classe média, empobrecidos por dez anos de políticas de arrocho econômico, e aquele dos 170 milhões restantes. Denunciou o papel duvidoso da mídia cartelizada que serve aos interesses da classe dominante e levantou a seguinte questão:
"O que fazer para mudar o Brasil? Fazemos a Revolução?"

Nessa hora eu senti uma certa onda de impacto entre os presentes, alguns com muito medo do que alguém que lota o Maracanã em dia de chuva poderia propor sobre este delicado ponto. Após curto silêncio, ele concluiu para gáudio geral que esta não perecia ser uma opção viável, mas o susto já estava dado. Pela Esquerda!

Em tempos de Lula do B, irmãos e irmãs, uni-vos!

Saturday, November 19, 2005

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O meu problema é videogame

Para os milhares de seguidores HnIS até então pasmados ante o meu silêncio já há uma explicação. Foi ela proposta pela minha amiga londrina Bia Singer que, quando não está ocupada em esquivar-se das inúmeras piadas relacionando seu sobrenome à célebre marca de máquinas de costura e óleos lubrificantes (www.singer.com.br), se dedica a patrulhar o conteúdo e a freqüência de atualização dos blogs, flogs e orkuts dos outros.



O comentário tem sua dose de verdade. Numa residência em que os únicos utensílios capazes de sinalizar a presença de adultos (como caixa de ferramentas, panelas, tuppleware etc) portam o nome do Ernesto gravado em Élfico (sim, o idioma do povo mágico de "O Senhor dos Anéis"), era de se esperar que uma conexão de internet rápida e sem-fio cedo ou tarde seria transformada num instrumento de perdição... de tempo! Agora aquelas tardes de sábado que eu passava com a galerinha no escritório dos pais do Rémy jogando Starcraft em rede, comendo pizza e espremendo espinhas podem ser perpétuas e nenhum dia da semana está a salvo! Quando os últimos arranjos forem concluídos, poderemos inclusive conectar a nossa rede no servidor do nosso amigo Bruno Savioli e jogarmos todos juntos, cada um de sua casa (ele mora a duas quadras daqui mas tá fazendo muito frio...). E isso não é tudo, nosso departamento de relações internacionais já está cuidando do Projeto CEMO Global, que permitirá aos companheiros de luta lá no Brasil ajudarem em tempo real a salvar a humanidade dos temíveis alienígenas Zerg.

Friday, October 07, 2005

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Perrengues

Sexta-feira às quatro da tarde já é fim de semana mesmo, então vou ver se escrevo alguma coisa aqui pra dar sinal de vida. Tenho estado muito ocupado com o maldito relatório, que a cada semana eu entrego pro meu orientador e a cada semana ele me pede pra aumentar.
Andei também sem internet em casa, porque o atendimento por parte dos provedores aqui é pavoroso, e em seguida porque o adaptador de rede sem-fio (uáiriless) do meu laptop tava quebrado. Felizmente eu estudo em uma universidade de alta burguesia e o cara do Computer Helpdesk me DEU um adaptador novo. Aliás, que universidade no Brasil tem um serviço só pra resolver os problemas de analfabetismo informático das pessoas?
Agora eu vou listar brevemente os problemas que estou tendo com o meu novo apartamento:
- o Daniel nunca apaga as luzes e demora uma hora e meia no banho;
- o Ernesto batizou o apartamento de 'Toca dos Mongos', num momento de extrapolação de autocrítica;
- várias lâmpadas estão queimadas;
- falta pintar várias marcas de infiltração e consertar os rodapés;
- há madeirames no terraço que deveriam ser removidos mas ainda não o foram;
- o deck do terraço está frouxo em algumas tábuas;
- o alçapão que leva ao terraço está empenado e alguém que venha pelo telhado pode entrar no apartamento, estrangular o Ernesto e comer o meu queijo francês;
- há um arquivo de metal verde horroroso com documentos pessoais do dono do apartamento que obstrui a sala e precisa ser removido;
- aparentemente há um rato que freqüenta a cozinha, batizado de "Ben" pelo Ernesto;
- a porta do banheiro de baixo tranca quando batida e precisa ser aberta por fora a pontapés;
- a geladeira descongela sozinha de vez em quando;
- enquanto a cortina do banheiro de baixo não é instalada existe a chance de água do chuveiro (especialmente durante os banhos do Daniel) escorrer pelo chão do banheiro e infiltrar até o Café que fica no térreo; quando isso acontece o Ugur, dono do café, bate enfurecidamente à nossa porta e me acorda;
- o Ernesto espalha os pertences dele pela sala, incluindo a mesinha do tecladinho "meu primeiro Casio" que ele toca quando quer exibir-se para alguma visita;
- até que cortina seja instalada, o meu chuveiro tem vista pra rua (!);
- John, the builder, o pau mandado do dono do aprtamento que é responsável por todas as tarefas acima achou por bem sair de férias na Espanha por dez dias e deixar a gente se virar com os problemas até a sua volta. Se fosse um bom cearense explorado pelas injustiças sociais no Brasil já teria terminado o serviço há muito tempo e sobretudo jamais teria dinheiro pra passar férias em um balneário.

Depois que estiver tudo mais arrumadinho eu coloco umas fotos aqui.
Tchau pra vocês.

Wednesday, October 05, 2005

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Perrengues

Este será o título do próximo artigo nesse blog; como se deduz, eu estou sem tempo de escrever mais agora!
O mais urgente deles é a primeira versão do meu relatório - que eu pensei que o meu orientador pediria pro final do mês mas ele pediu pro final da SEMANA.
Até lá deliciem-se por mim com o Maluf comendo quibe na cadeia.

Saturday, September 03, 2005

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Patinetes

Lê-se no dicionário Webster's:
Sun: myt. the King-star, souce of energy to planet Earth according to Latin iconography; very bright clouds.

Surpreendentemente, o sol brilha nos céus selvagens e viajar é preciso. Desde que voltei ao Reino Encantado, passei oito dias em retiro na Aikido Summer School 2005, no interior do interior dos British Midlands (uma espécie de Tocantins).

Ato-contínuo, peguei um TGV para Annecy, nos Alpes franceses, onde se observa paisagem aprazível, em não menos aprazível companhia de Louis, o dono da casa, e seus amigos franceses, estranhamente desestressados e de bem com a vida. Passeamos de bicicleta ao redor do lago, tomamos sorvete, comemos bife de verdade e tomamos vinho Bordeaux a 3€ a garrafa.

Também dedicamo-nos a esportes assaz radicais, pelo menos para jovens urbanos como eles que não passaram suas infâncias em Mendes, no Itanhangá nem no sítio de Campo Grande. Assim mesmo, todos saíram ilesos. Na noite de segunda-feira, ganhei do Louis no Banco Imobiliário um-contra-um caindo no Estacionamento Livre e ficando milionário sem nenhum mérito (se é que jamais há algum...) e ele pelo visto vai passar os próximos meses digerindo o fato no divã.

No caminho de volta fiz uma parada em Paris, passei o dia com o Julio e sua senhora Jeanne e também minha cara amiga Marcia, recém chegada para um mestrado.

De volta a Londres - encore! -, achei um apartamento perfeito e fechei negócio; mudo-me no dia 17. E o sol continua a brilhar lá fora...

Bom, eu ia falar sobre os patinetes terríveis que chegaram com força total aos little British nesse verão e que esbarram nas pessoas e passam por cima dos nossos pés, mas confesso que ultimamente reclamar até perdeu a graça.

Friday, August 12, 2005

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De volta

Cá estou, de volta à Ilha Selvagem, com saudades de todos, mais só do que quando saí.
Arrumo o quarto, desfaço as malas, lavo as roupas que o infeliz do Patrick deixou no meu cesto, procuro apartamento e disposição.
Semana que vem já recomeço no departamento. Se der tempo, darei uma assistida na CPI pelo Globonews.

Thursday, July 07, 2005

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Calma!

Interrompemos nossa programação para informar que está tudo bem comigo, apesar de seja lá o que for que aconteceu hoje de manhã aqui em Londres. Vocês provavelmente terão visto algo a respeito de explosões em estações de metrô, o que por enquanto se deixa deduzir daqui da minha casa pelos barulhos de sirenes na rua e pela queda das redes de telefonia fixa e celular.
Fiquem frios quanto a mim, se tudo der certo pego o avião hoje mesmo e vou pras paragens seguras(?) do Rio de Janeiro.

Wednesday, July 06, 2005

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Dia verde

Com atraso, retomo a narrativa do fantástico show da minha vida desde três semanas atrás, quando de fato eu fui a um show fantástico! Quem não foi adolescente nos anos 90 dificilmente ouviu falar da banda, que por sinal está completando dezesseis anos de carreira, o que por sinal me lembra de que eu gosto deles há pelo menos uns dez, o tempo não poupa ninguém mesmo.
Quer dizer, acho que poupa os integrantes do Green Day, que continuam com jeito de adolescente até hoje. A turnê tem o nome do novo CD (que a Caroline me deu, aliás...), bastante instrutivo, cuja capa você vê aí ao lado (em breve).

O dia verde começou três meses antes, quando compramos os nossos ingressos antes que se esgotassem. Na verdade o Greenday só ia fazer um show no sábado, mas os 65000(!) ingressos venderam tão rápido que eles resolveram fazer um outro no domingo. Reunir esse monte de gente num mesmo lugar de Londres que não seja o estádio do Arsenal (que está em reforma) nem o Hyde Park (com sua preciosa graminha) seria complicado, então o show foi na inusitada cidade de Milton Keynes, projetada e construída no meio do nada, à la Brasília, e batizada em homenagem a dois economistas de quem a Ilha gosta de lembrar. As mais de duas horas de ônibus pra chegar lá a partir de Cambridge foram apenas o começo.

Sabendo que os portões se abririam às duas e que o show começaria às quatro, saímos de casa lá pelas onze da manhã. Felizmente o Milton Keynes Bowl (uma cratera de grama cercada por uns mangues lodosos) não fica muito longe da estação, e no mais não tinha como se perder no meio de 65000 pessoas indo na mesma direção. Em meio a adolescentes com asinhas de fadas ou mantos pretos pesados e outros já nem tão jovens em indumentária semelhante, instalamo-nos (Caroline e eu) em pedaço de chão aguardando as quatro da tarde.

Lá pelas tantas nós entendemos que haveria uma outra banda abrindo o show, e deduzimos que o Greenday viria em seguida. QUATRO horas e QUATRO bandas amadoras depois (sendo duas bem ruins), às oito da noite, quando já estava escurecendo, os nossos heróis finalmente subiram ao palco. A partir daí realmente o nosso humor mudou totalmente e começou um show realmente muito bom. Destaque para a multidão indo ao delírio com o último sucesso American idiot e para a banda amadora que eles compuseram na hora com pessoas da platéia que sabiam tocar bateria, baixo e guitarra. Na guitarra eles botaram um menininho de 14 anos que deu um show à parte e só parou de tocar quando tiraram o som dele - mas valeu a pena, o Billy Joe (vocalista) gostou da atitude e deu a guitarra pro moleque.

Enquanto os bons momentos são difíceis de transmitir pelo discurso, as tragédias são muito fáceis, assim funciona o ser humano. Então vou passar a contar a nossa volta (ou não) pra casa, lá pelas onze e tanto, junto com as demais 65000 pessoas. Já de cara, com o cair da noite, nos perdemos na saída do MK Bowl e demoramos um bom tempo pra achar a estação (não adianta seguir um grupo grande de pessoas se elas tb estiverem perdidas...). Lá chegando, verificamos com gáudio que as autoridades de transporte locais, cientes do grande fluxo de passageiros vindos do show naquele horário, não alterou em nada a programação usual e todos os ônibus pra cambridge (e várias outras cidades) já tinham partido. Isolados em MK, sem lenço nem celular, restava-nos sentar na calçada e esperar o ônibus das seis da manhã - como um bom número de resignados fãs de Greenday que já procuravam seu cantinho aconchegante no chão de cimento da estação.

Foi então que eu me lembrei que conhecia alguém que morava em MK! A minha amiga Andréia (salve, salve!), by the way nova presidente da ABEP (Assoc. dos Brasileiros Estudantes de Pós-Graduação e Pesquisadores no RU), seria a nossa última esperança. Só precisávamos do seu número de telefone, que estava na memória do meu celular, que estava em cambridge. Lembra daquele tempo em que não existia celular e a gente sabia de cor os telefones das pessoas? Saudosos... Felizmente eu me lembrava de um telefone: o meu! Liguei pra minha casa, acordei a minha pobre colega Mijin e pedi-lhe que fosse até o meu quarto, ligasse o meu computador e procurasse entre os meus emails (em Português!) aquele que continha o telefone da Andréia. Acreditem ou não, o plano funcionou e a Andréia foi buscar-nos, de carro, na estação - embora não muito feliz com isso, compreensivelmente... Então dormimos felizes, jantados e de banho tomado no apartamento arrumandinho e aconchegante da Andréia, e pegamos o ônibus de volta no dia seguinte ao Dia Verde.

Monday, June 06, 2005

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Saudade e o Rio

Ao contrário do que muita gente pensa que muita gente pensa, a palavra saudade só existe mesmo em Português (talvez tb em hutu, mas aí eu não sei). A saudade é o fenômeno de rememorar situações agradáveis (pois ninguém tem saudade de coisas ruins), e como tal não é nem feliz nem triste; tudo depende de como reagimos a ela. A saudade pode ser triste, quando o presente contrasta com a lembrança e sentimos ausência. Por outro lado, a saudade pode ser feliz, quando mergulhamos nela profundamente e experimentamos novamente as sensações a que ela nos remete; eu arriscaria mesmo opinar que esta é a forma mais forte de felicidade, já que reside, invulnerável, no passado.

O Rio é a minha cidade natal, onde estão todos os meus familiares e também a grande maioria dos meus amigos. Foi lá onde praticamente todas as coisas importantes da minha vida aconteceram, e é evidente que eu sinto saudades do Rio. Resta saber se vai ser uma saudade feliz ou triste, e acho que eu aprendi bem rápido a encorajar uma e a afastar a outra. A minha vida aqui é feliz, eu não lamento de forma alguma estar aqui; se eu achasse uma lâmpada mágica não pediria pra voltar, pediria pra poder estar nos dois lugares ao mesmo tempo!
Esse desejo não tem preço, mas para todos os outros existe Mastercard então poderei aliviar a saudade visitando a todos durante o próximo mês de Julho. Chego no dia 8 e já estou contando as folhinhas...

Rio também era o nome do meu avô materno até uma semana atrás; ou melhor, ainda é. Eu não tenho muitas lembraças dele dos meus tempos de criança - acho que ele não entendia bem as crianças e as achava meio esquisitas (no meu caso particular, provavelmente com razão), embora eu tenha interagido razoavelmente com ele nos últimos tempos. Mas eu me lembro de quando tinha dez anos e, aconselhado por terceiros, pedi-lhe que me ensinasse o algoritmo de divisão, que eu tinha dificuldade de entender na escola. Como bom matemático, ele evidentemente começou por definir os números inteiros a partir dos axiomas de Peano e o princípio da indução, procedendo em seguida aos racionais via classes de equivalência, aos reais por completude ou alternativamente por cortes de Dedekind e, enfim, aos complexos, via a extensão de corpos induzida pelo elemento "i". Claro que em momento nenhum ele levantou a cabeça pra ver a cara assustada do menino de dez anos que estava ali, o que lhe permitiu ainda uma pequena digressão sobre grandezas cardinais, conduzindo à definição do número aleph-zero e ao enunciado da hipótese do contínuo. Para descontrair, contou-me a lenda do xadrez. O Domingo passou muitíssimo devagar, é verdade, e o menino de dez anos descobriu ao fim que ainda não sabia o algoritmo da divisão e teria de entregar o dever de casa em branco no dia seguinte. Aprendeu também que o objeto de interesse dos matemáticos não é o mundo real (o pai economista forneceu depois a explicação, com dois exemplos resolvidos, em cinco minutos). Ficou meio injuriado, até.
Mas não esqueceu.

Saturday, May 14, 2005

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Nova substância superaderente

Alexander Fleming acidentalmente descobriu a penicilina ao observar a proliferação de misterioso fungo em uma placa de Petri abandonada em seu laboratório, e isso lhe rendeu o Prêmio Nobel.
De modo semelhante, acabo de descobrir um material superaderente que deve revolucionar a ciência dos materiais, com possíveis desdobramentos em nanotecnologia e na exploração espacial. Apesar de não poder ainda revelar os detalhes exatos do experimento realizado no meu quarto, posso assegurar que o restinho de nescafé, mel e leite que sobra no fundo da xícara, após prolongado intervalo de maturação, se converte na mais poderosa resina já sintetizada. Nestas circunstâncias, torna-se humanamente impossível separar a colher do fundo da xícara sem o emprego de solventes.
Agora é só esperar sair a patente para começar a arrematar todos os grandes prêmios da ciência.

Tuesday, May 10, 2005

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A tinta é mais densa que a água

Há cerca de 150 anos os Earp se cansaram da dieta exclusiva de sopa de cascas de batata que o Reino lhes reservava e partiram rumo ao Novo Mundo em busca de um bom bife.
Parte da família foi para o Oeste dos EUA, tendo como expoentes mais célebres o Xerife Wyatt Earp e seus irmãos - cuja história é contada por exemplo no filme Tombstone. Concomitantemente à sua atuação no ramo da segurança públca (que um mal-intencionado poderia confundir com pura e simples pistolagem), os Earp também se dedicavam, em tempo parcial, à grilagem de terras e ao roubo de gado. Mas o mercado é mesmo implacável, e esta história termina com a morte dos Irmãos Earp em um tiroteio de rua contra um grupo rival.
Por outro lado, parte da família veio para o Brasil, aglutinou o nome português e instalou-se no Rio de Janeiro e em Petrópolis, convenientemente próxima à casta de utilidade social duvidosa que orbitava o poder Real. Hoje em dia, os Sá Earp de minha genealogia imediata, por exemplo, dedicam-se à economia e ao comércio de computadores, que não deixam de ser extensões lógicas, ao mundo moderno, das nossas atividades tradicionais no Velho Oeste.

De volta ao arquipélago (hoje farto em tubérculos) onde esta epopéia começou, flagro-me freqüentemente em momentos de resgate de minha herança cultural e genética. Vejam que na última quinta-feira o Departamento de Matemática do Imperial College pretendia jogar fora certo número de computadores em bom estado, em ocasião da chegada de substitutos mais novos. Diante disso, foi para mim uma decisão natural, diria mesmo medular, recolher uma das máquinas e prontamente vendê-la, por preço módico, a uns conhecidos brasileiros.
Como reter os lucros é menos uma virtude earpiana do que os obter, imediatamente tratei de gastar todo o provento desta operação em mais uma celebração do nosso estilo de vida: no sábado fui jogar Paintball! Em meio a um grupo de mais de quarenta pessoas (amigos de amigos de outros brasileiros daqui), passei o dia inteiro realizando operações de combate em diversos cenários, entre os quais destacam-se A ponte, Cemitério e Vila Vietcongue. É uma atividade bastante segura e civilizada: os arranhões e as marcas dos tiros na pele já estão quase desaparecendo hoje, terça-feira.

Na certeza de ter feito suficientemente jus ao meu nome, agora permito-me deixar de lado outra importante tradição de família e ir trabalhar um pouco.

Tuesday, April 19, 2005

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Paris

Estou escrevendo só pra vcs saberem q eu estou indo pra lá amanhã e ficarem com inveja.

Monday, March 21, 2005

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George Bush is... the #1 terrorist!

Eis um dos slogans da manifestação de sábado passado contra a guerra, que saiu do Hyde Park até Trafalgar square, passando na frente do consulado dos EUA. Desnecessário dizer que, apesar do novo Terror Act que permite à polícia colocar suspeitos em prisão domiciliar privada de telefone e internet por tempo indeterminado e sem ordem judicial, eu estava lá, junto com Caroline, Patrick (um amigo de Liceu que está trabalhando em Londres) e mais uns vinte e tantos alunos do Imperial, dando a nossa contribuição.


Patrick e eu chamando as tropas de volta. Posted by Hello

Vários slogans fizeram sucesso entre a multidão, entre os quais:

- o do título:

George Bush is... the number 1 terrorist!
Tony Blair is... the number 2 terrorist!
Sha-ron is... the number 3 terrorist!
Berlusconi is... the number 4 terrorist!
(continua com as pessoas pedindo outros nomes até cansar.)

- um com tema musical bem conhecido por estas bandas:
We all live in a terrorrist regime, terrorist regime, terrorist regime!

- um que eles cantam quando realmente estão com vontade de apanhar da polícia:
One, two, one two three, how many cops in the BNP?
(British National Party é um partido de extrema direita, com forte presença nos quadros da polícia.)

- e tb esse aqui, bem mais preocupante...
Ooo-ne solution... reee-volution!

Os organizadores do evento estimaram 150 mil pessoas (Trafalgar square estava lotada de cima a baixo), a polícia 45 mil.
Depois do evento fomos nós três comer feijão com arroz no restaurante Brazil-by-Kilo na New Oxford Street. Mmmm.

Sunday, March 20, 2005

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Domingo

Desde o Ato Real de 1392 conhecido como Pig Spirit Act ficou decretado no Reino Unido que todo domingo seria nublado. País de legalistas, hoje não foi diferente.
Após um sábado ensolarado (finalmente!), vem o domingo pra lembrar-me de que o sol foi só um favorzinho e de que amanhã é mesmo segunda-feira.
Lembrará Poliana que acordar tarde, almoçar no restaurante pra não ter que lavar louça, cochilar de volta à casa e passar o resto do dia assistindo DVD e comendo pipoca não é exatamente um cronograma de se queixar, mas sempre fica faltando o calorzinho pela janela.

Sunday, March 13, 2005

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UKA Winter School

Nesse fim de semana eu estive em Birmingham, onde fica a academica central da UKA (a minha associação de Aikidô) e onde foi a Escola de Inverno. Foi bem legal, com direito a exames de faixa sanguinolentos e suas reprovações sumárias (o sujeito que fez o exame fica de pé pra ouvir o resultado, aí eles dizem 'pass', ou 'please try again', na frente de todo mundo, hehe.)
O único porém, como se diz, são dois: o fato de a academia não ter chuveiro - quem quiser tomar banho trate de voltar pra sua pousada; o fato de não haver hora de almoço - só uma pausa de meia-hora entre as aulas da manhã e as da tarde. Já residente no RU há mais de ano, nenhum desses inconvenientes causou-me grande espanto. Até porque, devidamente advertido, levei uns sanduíches gordinhos na mochila pra comer nos intervalos. Quanto a não tomar banho, bem, só posso dizer que quando todos estão no mesmo estado até que nem se nota tanto... irg, mas é a verdade.

Thursday, February 24, 2005

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Ich bin kein Berliner

No último fim de semana fui a Berlim com um pessoal de Cambridge, a convite do nosso amigo Friedel, que tem cara de maluco (ele é aluno do Stephen Hawking) mas é gente boa.
Saí daqui às três da manhã de sábado pra pegar o vôo Ryanair baratinho, encontrei o resto do grupo no aeroporto, fui dormindo no avião e chegamos a Berlim por volta das nove da manhã. O frio ainda não estava totalmente insuportável àquela hora, ou então eu ainda estava quentinho do avião e não percebi. O fato é que durante a tarde a gente passeou pela cidade e estava congelando. O Friedel ainda teve a feliz idéia de fazer fila pra visitar o prédio do Parlamento (o Bundestag), por quarenta minutos, do lado de fora, no vento. O prédio ficou legal depois da reforma e agora tem uma grande redoma de vidro por cima, de onde as pessoas comuns podem observar os deputados lá embaixo. Eu perguntei ao Friedel se tb podia batucar no vidro ou vaiar; ele pareceu assustado por uns instantes mas quando entendeu que era brincadeira disse que pra isso tem galerias específicas lá dentro. Tudo muito organizado.
Eu achei a cidade bem feia, mas tb muito interessante. Tudo lá parece em construção, parece uma grande bagunça que os alemães ainda não conseguiram arrumar direito daquele jeito neurótico deles. No bairro em q o Friedel mora, por exemplo, muitos prédios têm marcas de splashes de tinta nas fachadas; ele explicou com naturalidade que quando os prédios foram repintados as pessoas da vizinhança saíram na rua jogando sacos com tinta pra "redecorar" as fachadas, pra que ficasse mais pessoal e aconchegante.
Vale lembrar que antes da Reunificação Berlim era bem diferente mesmo do resto da Alemanha; além de ter regime jurídico próprio influenciado pelos EUAmericanos, Ingleses e Franceses (os Soviéticos "devolveram" a parte deles para a RDA), os moradores da cidade eram dispensados de serviço militar por razões diplomáticas (além do mais, de que adiantaria sabendo que tinha um milhão de soldados do lado oriental?) e, como os "bacanas" não tivessem lá muito interesse de se instalarem naquela confusão, os preços de moradia eram bem mais baixos. Resultado dos dois últimos fatos: um monte de artistas, malucos, excluídos, doidões, alternativos e inconformados em geral do país inteiro acabaram convergindo pra lá. Por isso o clima mais informal e tumultuado, creio.

No fim do sábado tivemos uma merecida parada numa lanchonete especializada em salsichas (mmm...) e comemos aos montes. E como nem tudo são flores no inverno alemão, eu acordei no meio da noite com uma combinação de crise de gripe e indigestão e tive de chamar a mãe do Friedel (Frau Epple... please wake up - foi péssimo!) pra tomar remédio. Não suficiente, continuei sentindo enjôo durante toda a noite, voltando com náuseas ao banheiro várias vezes, até que acabei dormindo lá no banheiro mesmo (!). No dia seguinte acordei tão mal que nem conseguia me mexer, e com 38,5 de febre. Passei o belo domingo de inverno prussiano deitado na cama comendo banana amassada e arroz empapado com a Caroline fazendo colherzinha, enquanto o resto do pessoal foi passear.
Pra coroar, comecei a sentir uma dor no ouvido lancinante e tivemos de ir ao posto médico. Aí eu pude praticar todo o meu alemão, como há muito não fazia - o que o instinto de sobrevivência não faz...
Legal né?
Claro que eu só conto essas coisas depois de estar melhor assim meus pais e minha vó não têm crises de pânico, então ninguém aí se preocupe pois eu já estou melhor.
:o)
Só estou evitando gorduras assim por essa semana...

Monday, January 31, 2005

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Chinês

Motivado por umas perguntas do meu pai, resolvi escrever sobre Chinês. Sim, o idioma. Pode ser uma surpresa pra alguns (ou melhor, apenas pros imprestáveis que não vêm lendo este blog regularmente) que eu tenha feito um curso de Mandarin no ano passado, enquanto estava em Cambridge. Se vc acha que isso é sinal de minha loucura, provavelmente está certo, mas era de graça, eu não ia deixar passar né?

O curso chamava-se Introdução ao Chinês para cientistas, e era promovido por uma fundação particular (Pressland Fund) que tem relações promíscuas e mal esclarecidas com o Centro de Idiomas da Universidade de Cambridge. Pra minha surpresa, dos vinte alunos inscritos mais ou menos um terço eram chineses (ou adjacentes, como taiwaneses, etc.), que falavam outras línguas (como o Cantonês) e queriam aprender a língua oficial!
Foi aí que eu vim a saber que na China existem oito línguas oficiais e quarenta e nove não-oficiais (eu disse línguas, não falemos de dialetos). Descobri também que os próprios chineses de outras regiões acham dificílimo o sistema tonal do Mandarin (a tonalidade com que vc pronuncia um fonema altera completamente o significado), e em muitos casos estão longe de serem fluentes, apesar de esta ser a principal língua do país. Quando os sotaques regionais entram em cena, então, há espaço pra toda sorte de ambigüidades e dificuldades de comunicação, que eles mal ou bem conseguem contornar de algum jeito chinês esquisito que eu não imagino qual seja.
Como exemplo pitoresco, saiba que em Shanghai a língua regional é o Wu; quando um falante nativo de Wu fala Mandarin, o seu sotaque faz com que os verbos "comprar" e "vender" soem exatamente iguais. Parece confuso? Agora multiplique tudo isso pelo fato de Shanghai ser o principal centro comercial da China; e vá entender como isso pode dar certo.

Por outro lado, diga-se em sua defesa que gramaticalmente o Mandarin é muito fácil; motivo pelo qual com um curso introdutório de dez aulas e um dicionário já dá pra sair falando um monte de coisas. Por exemplo, não há conjugação nem pessoa de verbo, nem artigo, nem plural, nem nenhum tipo de demarcador de função sintática (como as declinações do Alemão) ou regra de concordância. Na prática você sai falando direto "eu" + "ir" + "escola" + "amanhã" e vai daí. Claro que toda essa simplicidade é compensada pela escrita altamente enigmática (ajuda se vc souber Japonês ou Coreano, mas não muito!), que um ocidental costuma demorar a vida toda pra aprender. Os próprios chineses reconhecem a hermeticidade do sistema; aliás, num esforço de revolucionário "deselitizar" o idioma e expurgar os vícios burgueses, os camaradas têm encorajado historicamente certas alternativas, como o uso do alfabeto ocidental (sistema pin-yin) ou a simplificação dos ideogramas (isto é, eliminação dos rabisquinhos "menos importantes" pra ficar mais fácil de aprender uma letra). A intenção é boa, mas claro que no fim das contas a língua continua sendo elemento de elitização, porque, na hora do vamuvê, vagabundo só respeita mesmo quem sabe Mandarin sem sotaque e lê e escreve no tradicional.

Daqui a 20 anos quando uma multinacional chinesa comprar a empresa/ universidade/ quiosque/ carrocinha de pipoca onde vc trabalha, trate de lembrar de tudo isso para não ofender o seu honorável novo patrão, o Sr. Cheng.

Monday, January 24, 2005

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O Donaldson, o CEMO e a borboleta

Andando pelo Rio de Janeiro nesse verão e levado por livre e espontânea pressão a examinar vitrines e mostruários de ambulantes, cheguei a pelo menos uma conclusão: as borboletas estão na moda. Seja em estampas e bijuterias ou em outras modalidades de frescura como MSN messenger - quiçá até no bicho? - só está dando borboleta.
Como sou matemático, essa reflexão remeteu-me de imediato à popular parábola da borboleta que bate suas asas, causa um tsunami na Ásia e depois acorda como homem, sem saber se estava antes apenas sonhando que era borboleta ou se na realidade é boiola mesmo... ou alguma coisa que vai por aí, agora não me lembro direito da história. O importante é que tinha a ver com o acaso e a realidade.

Vejamos agora o meu exemplo: cá estou morando nessa cidade congelada e mal-quista por Bin Laden, estudando no Imperial College com esse tal de Professor Donaldson (um dos maiores matemáticos do Mundo)... em grande parte por acaso. Pra começar, eu nem pretendia candidatar-me ao IC no ano passado (eu ainda achava que queria ficar em Cambridge), acabei me inscrevendo por desencargo de consciência... Embora naquele momento eu não tivesse como prever, essa foi uma boa decisão pois, dada a combinação final das minhas notas, disponibilidade de bolsa e projeto de pesquisa, o Imperial acabou sendo o único lugar pra onde eu pude vir. E de início eu nem ia trabalhar com o Donaldson! Aconteceu que o cara que me chamou (S. Salamon, que também é muio bom, mas não é tão famoso) acabou tendo que ir embora um mês antes do início do curso e me transferiu pra esse amigo dele.
Em resumo, nada saiu como eu tinha planejado, mas as coisas deram um jeito de dar certo mesmo assim... Claro que, daqui pra frente, eu vou ter que arcar com o alto nível da roubada em que eu me meti e que se eu me sair bem então parabens pra mim, mas até o momento tudo que deu certo foi principalmente por acaso.

Mudando de assunto (ou não: como já terão percebido, sempre que eu finjo mudar de assunto no mesmo post é só pra apresentar engenhosamente um outro ângulo do mesmo tema... mas não conte a si mesmo pra não estragar o efeito), também no Rio dei-me conta de como está difícil as pessoas se encontrarem. Todo mundo anda tão ocupado estudando, trabalhando ou embananado a própria vida (ou sendo explorado pelo neoliberalismo, como queiram) que mal sobra tempo pra estar ver os amigos. Cada um vive dizendo "qualquer dia desses tenho que ligar pra fulano", e os grandes grupos de 'antigamente' só se reúnem mesmo quando é aniversário ou velório de alguém.
No CEMO, porém, tudo é diferente! O Centro de Entretenimento Marquês de Olinda é o simpático apartamento dos meus amigos Rémy e Eduardo (não, ainda não é aqui que entra a história da borboleta), onde você encontra a qualquer hora do dia ou da noite alguns dos piores bandidos do Oeste - e às vezes até algum comunista - falando bobagem, recuperando-se de (ou adquirindo) alguma ressaca ou jogando RPG, video-game e WAR II. Pra mim é uma experiência curiosa encontrar no mesmo lugar amigos que eu conheci pelos mais variados motivos e em diferentes momentos da vida reunidos regularmente, sem precisar ser aniversário nem formatura de ninguém; sobretudo é uma grande sorte, dado o pouco tempo que eu tenho pra curtir a todos.
Agora vem a minha reflexão, sempre egocêntrica: Eduardo e Rémy conheceram-se porque já eram antes, individualmente, meus amigos. Se não fosse uma peculiar combinação de decisões e coincidências (como eu mudar de escola e cair justamente na turma do Rémy) cujas conseqüências à época não se poderiam prever ou mesmo imaginar, uma coisa legal como o CEMO hoje provavelmente não existiria. Borboleta, sacaram?

Só lamento que os poderes de longo alcance do bater de asas da borboleta não tenham ainda arrumado solução para o Atlântico que separa as duas partes desse texto.

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