Nova substância superaderente
Alexander Fleming acidentalmente descobriu a penicilina ao observar a proliferação de misterioso fungo em uma placa de Petri abandonada em seu laboratório, e isso lhe rendeu o Prêmio Nobel.
De modo semelhante, acabo de descobrir um material superaderente que deve revolucionar a ciência dos materiais, com possíveis desdobramentos em nanotecnologia e na exploração espacial. Apesar de não poder ainda revelar os detalhes exatos do experimento realizado no meu quarto, posso assegurar que o restinho de nescafé, mel e leite que sobra no fundo da xícara, após prolongado intervalo de maturação, se converte na mais poderosa resina já sintetizada. Nestas circunstâncias, torna-se humanamente impossível separar a colher do fundo da xícara sem o emprego de solventes.
Agora é só esperar sair a patente para começar a arrematar todos os grandes prêmios da ciência.
Saturday, May 14, 2005
Tuesday, May 10, 2005
A tinta é mais densa que a água
Há cerca de 150 anos os Earp se cansaram da dieta exclusiva de sopa de cascas de batata que o Reino lhes reservava e partiram rumo ao Novo Mundo em busca de um bom bife.
Parte da família foi para o Oeste dos EUA, tendo como expoentes mais célebres o Xerife Wyatt Earp e seus irmãos - cuja história é contada por exemplo no filme Tombstone. Concomitantemente à sua atuação no ramo da segurança públca (que um mal-intencionado poderia confundir com pura e simples pistolagem), os Earp também se dedicavam, em tempo parcial, à grilagem de terras e ao roubo de gado. Mas o mercado é mesmo implacável, e esta história termina com a morte dos Irmãos Earp em um tiroteio de rua contra um grupo rival.
Por outro lado, parte da família veio para o Brasil, aglutinou o nome português Sá e instalou-se no Rio de Janeiro e em Petrópolis, convenientemente próxima à casta de utilidade social duvidosa que orbitava o poder Real. Hoje em dia, os Sá Earp de minha genealogia imediata, por exemplo, dedicam-se à economia e ao comércio de computadores, que não deixam de ser extensões lógicas, ao mundo moderno, das nossas atividades tradicionais no Velho Oeste.
De volta ao arquipélago (hoje farto em tubérculos) onde esta epopéia começou, flagro-me freqüentemente em momentos de resgate de minha herança cultural e genética. Vejam que na última quinta-feira o Departamento de Matemática do Imperial College pretendia jogar fora certo número de computadores em bom estado, em ocasião da chegada de substitutos mais novos. Diante disso, foi para mim uma decisão natural, diria mesmo medular, recolher uma das máquinas e prontamente vendê-la, por preço módico, a uns conhecidos brasileiros.
Como reter os lucros é menos uma virtude earpiana do que os obter, imediatamente tratei de gastar todo o provento desta operação em mais uma celebração do nosso estilo de vida: no sábado fui jogar Paintball! Em meio a um grupo de mais de quarenta pessoas (amigos de amigos de outros brasileiros daqui), passei o dia inteiro realizando operações de combate em diversos cenários, entre os quais destacam-se A ponte, Cemitério e Vila Vietcongue. É uma atividade bastante segura e civilizada: os arranhões e as marcas dos tiros na pele já estão quase desaparecendo hoje, terça-feira.
Na certeza de ter feito suficientemente jus ao meu nome, agora permito-me deixar de lado outra importante tradição de família e ir trabalhar um pouco.