Thursday, July 07, 2005

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Calma!

Interrompemos nossa programação para informar que está tudo bem comigo, apesar de seja lá o que for que aconteceu hoje de manhã aqui em Londres. Vocês provavelmente terão visto algo a respeito de explosões em estações de metrô, o que por enquanto se deixa deduzir daqui da minha casa pelos barulhos de sirenes na rua e pela queda das redes de telefonia fixa e celular.
Fiquem frios quanto a mim, se tudo der certo pego o avião hoje mesmo e vou pras paragens seguras(?) do Rio de Janeiro.

Wednesday, July 06, 2005

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Dia verde

Com atraso, retomo a narrativa do fantástico show da minha vida desde três semanas atrás, quando de fato eu fui a um show fantástico! Quem não foi adolescente nos anos 90 dificilmente ouviu falar da banda, que por sinal está completando dezesseis anos de carreira, o que por sinal me lembra de que eu gosto deles há pelo menos uns dez, o tempo não poupa ninguém mesmo.
Quer dizer, acho que poupa os integrantes do Green Day, que continuam com jeito de adolescente até hoje. A turnê tem o nome do novo CD (que a Caroline me deu, aliás...), bastante instrutivo, cuja capa você vê aí ao lado (em breve).

O dia verde começou três meses antes, quando compramos os nossos ingressos antes que se esgotassem. Na verdade o Greenday só ia fazer um show no sábado, mas os 65000(!) ingressos venderam tão rápido que eles resolveram fazer um outro no domingo. Reunir esse monte de gente num mesmo lugar de Londres que não seja o estádio do Arsenal (que está em reforma) nem o Hyde Park (com sua preciosa graminha) seria complicado, então o show foi na inusitada cidade de Milton Keynes, projetada e construída no meio do nada, à la Brasília, e batizada em homenagem a dois economistas de quem a Ilha gosta de lembrar. As mais de duas horas de ônibus pra chegar lá a partir de Cambridge foram apenas o começo.

Sabendo que os portões se abririam às duas e que o show começaria às quatro, saímos de casa lá pelas onze da manhã. Felizmente o Milton Keynes Bowl (uma cratera de grama cercada por uns mangues lodosos) não fica muito longe da estação, e no mais não tinha como se perder no meio de 65000 pessoas indo na mesma direção. Em meio a adolescentes com asinhas de fadas ou mantos pretos pesados e outros já nem tão jovens em indumentária semelhante, instalamo-nos (Caroline e eu) em pedaço de chão aguardando as quatro da tarde.

Lá pelas tantas nós entendemos que haveria uma outra banda abrindo o show, e deduzimos que o Greenday viria em seguida. QUATRO horas e QUATRO bandas amadoras depois (sendo duas bem ruins), às oito da noite, quando já estava escurecendo, os nossos heróis finalmente subiram ao palco. A partir daí realmente o nosso humor mudou totalmente e começou um show realmente muito bom. Destaque para a multidão indo ao delírio com o último sucesso American idiot e para a banda amadora que eles compuseram na hora com pessoas da platéia que sabiam tocar bateria, baixo e guitarra. Na guitarra eles botaram um menininho de 14 anos que deu um show à parte e só parou de tocar quando tiraram o som dele - mas valeu a pena, o Billy Joe (vocalista) gostou da atitude e deu a guitarra pro moleque.

Enquanto os bons momentos são difíceis de transmitir pelo discurso, as tragédias são muito fáceis, assim funciona o ser humano. Então vou passar a contar a nossa volta (ou não) pra casa, lá pelas onze e tanto, junto com as demais 65000 pessoas. Já de cara, com o cair da noite, nos perdemos na saída do MK Bowl e demoramos um bom tempo pra achar a estação (não adianta seguir um grupo grande de pessoas se elas tb estiverem perdidas...). Lá chegando, verificamos com gáudio que as autoridades de transporte locais, cientes do grande fluxo de passageiros vindos do show naquele horário, não alterou em nada a programação usual e todos os ônibus pra cambridge (e várias outras cidades) já tinham partido. Isolados em MK, sem lenço nem celular, restava-nos sentar na calçada e esperar o ônibus das seis da manhã - como um bom número de resignados fãs de Greenday que já procuravam seu cantinho aconchegante no chão de cimento da estação.

Foi então que eu me lembrei que conhecia alguém que morava em MK! A minha amiga Andréia (salve, salve!), by the way nova presidente da ABEP (Assoc. dos Brasileiros Estudantes de Pós-Graduação e Pesquisadores no RU), seria a nossa última esperança. Só precisávamos do seu número de telefone, que estava na memória do meu celular, que estava em cambridge. Lembra daquele tempo em que não existia celular e a gente sabia de cor os telefones das pessoas? Saudosos... Felizmente eu me lembrava de um telefone: o meu! Liguei pra minha casa, acordei a minha pobre colega Mijin e pedi-lhe que fosse até o meu quarto, ligasse o meu computador e procurasse entre os meus emails (em Português!) aquele que continha o telefone da Andréia. Acreditem ou não, o plano funcionou e a Andréia foi buscar-nos, de carro, na estação - embora não muito feliz com isso, compreensivelmente... Então dormimos felizes, jantados e de banho tomado no apartamento arrumandinho e aconchegante da Andréia, e pegamos o ônibus de volta no dia seguinte ao Dia Verde.