Friday, May 19, 2006

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Primavera

Já que o mercado não resolve tudo por si só e como era a última alternativa a sentar pra estudar numa sexta-feira à noite, decidi retomar este Blog. A tarefa portanto será resumir o que aconteceu na minha vida nos últimos cinco meses, omitindo brutalmente todos os detalhes que não vierem à mente de primeira porque afinal eu tenho (?) mais o que fazer.
Em janeiro não aconteceu nada.
Em fevereiro o meu pai veio visitar-me cá em Londres com Rossana. Levei-o a Cambridge, onde ele viu o jardim do King's College onde o Keynes meditava e depois disse que estava satisfeito e já podíamos ir embora daquela cidade.
Foi-se o velho, fui-me à Holanda, visitar a gentil amiga Carolina que me comprou a passagem de presente de aniversário. Chegando a sua casa, caí de cama com 38,5 de febre e lá fiquei todos os três dias da viagem, suando e delirando - pra você que me conhece e achou que eu seria a primeira pessoa a não ter alucinações em Amsterdam.
De volta a Londres em março, recebi aqui em casa a Paula Pamonha, filha de uma amiga da minha mãe, que ficou retida na imigração de Heathrow e eu tive que ir lá retirá-la - mais ou menos como as entregas da Amazon que ficam retidas no correio para averigüações alfandegárias. Ela ficou aqui em casa apenas dois dias, conheceu os meus colocatários debilóides, foi acordada com o pé e passeou em Londres na chuva.
Também em março, dessa vez em minha identidade pública de brasileiro VIP (em português, PIM: pessoa importante mesmo), reuni-me com o Ministro da Educação Sr. Fernando Haddad para discutir a mal-fadada realidade dos nossos estudantes de pós-graduação na Ilha Selvagem. É verdade que eu estava bastante ocupado naquela semana, mas sendo um ministro de estado, pensei, dá pra encaixar no meu horário.
Ocupado, sim! Porque o pano de fundo (trágico) disso tudo foi a redação do meu relatório (First Year Report), que como o nome diz é feito no segundo ano de doutorado e, caso insatisfatório, pode resultar na expulsão do programa de doutorado. Eis que o meu carinhoso orientador não leu lá com muita atenção o texto e no dia da defesa o outro examinador achou dois erros nos meus principais teoremas. Então, ainda carinhosamente, ambos me deram 6 semanas pra consertar os erros - e essas foram as minhas férias de Páscoa. Razão pela qual, aliás, eu não fui ao Brasil pedir greve de fome por tempo indeterminado pro Garotinho Matheus.
Indulgi, porém, em pequeno luxo e fui visitar o Daniel Simão em Veneza por 3 dias. Ele teve a oportunidade de revisitar todas as atrações da cidade comigo pela milésima vez - o que tanto fazia, na verdade, contanto que desse tempo de falar mal de todo mundo que a gente conhece no Brasil. Inclusive do Garotinho.
Corrigido meu relatório, passo à minha pesquisa de tese concretamente.
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Esteve aqui também, há uns dez dias, saudoso Duduca Kaplan, conhecido de certa subtribo de leitores do HnIS. Menos conhecido, talvez, seja o fato de que os Kaplan, assim como os Schlopff e os Trimm pertencem ao peculiar ramo semítico que adota onomatopéias como sobrenome. Duduca pegou meu celular antigo emprestado pra ir de bicicleta até a Irlanda, ou algo assim. Mas devolveu depois.
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É chegada a primavera e com ela a temporada de Ultimate Frisbee no Hyde Park aos domingos (uma espécie de frango-com-farofa sem frango nem farofa) dos brasileiros e gringos brasilófilos cuja presença nós toleramos. Latinos que somos, organizamos também algumas festas aqui no apê, consolidando assim a nossa posição de centro gravitacional da vida social londrina e garantindo muitas horas de discussão sobre quem vai lavar a louça no dia seguinte.
Fomos jogar Paintball e o Ernesto comeu todo o queijo-ralado que era pra dividir por todo mundo na macarronada do intervalo. Doravante apelidado Ernesto Parmesão.
Fizemos um pique-nique no Hyde Park, que choveu.
Filmamos um bêbado aqui na frente de casa que não conseguia calçar o sapato.

Pronto, acabei. Jubilem.