No caso, senhor
Cansei de ficar mantendo esse blog como uma espécie de diário de viagens. Parafraseando Carla Peres, vou dar uma guinada de 360 graus neste projeto e fundi-lo a uma iniciativa maior: o glorioso blog de conteúdo e opinião No caso, senhor. Lá você encontra artigos novos todos os dias (o meu sai toda sexta), escritos por uma seleta casta de meliantes brasileiros no exílio:
- Renato "Nutella" de Paulo,
- Daniel "Chiquinho" Florêncio,
- Alexandre "Coritiba" Rubesam,
- Julieta "Embaixadora da Paz" Falavina,
- Ernesto "Gatmalotnere Maspaluluftiare" Herrmann (não posso fazer nada, foi ele que escolheu),
- Samantha "Debenhams" Dias Bruckhausen Herrmann (tinha que ser a mulher do cara),
- Ernesto "Menino Cauê" Llop,
- Colaboradores especiais,
- e EU!
Drible o seu patrão e acompanhe www.nocaso.org regularmente!
PS.: Quando tiver paciência vou postar aqui o meu artigo da semana e também, quem sabe, alguma novidade mais comezinha aqui das redondezas. Esse foi o meu artigo de abertura:
- x -
Big Me
(ou como não fazer nada sem sair de casa)
No futuro, quando as pessoas tiverem genomas modificados e forem metade-máquina por conta de implantes cibernéticos, eu não sei o que vai acontecer. No presente, contudo, os blogs estão na moda e este aqui é mais um que brota sem maiores explicações nessa rede mundial de solidões locais. Como garrafada inaugural parece-me boa idéia meta-blogar e tentar entender essa mania de auto-exposição em blogs, fotologs e outras sonoridades pastosas. De repente todo mundo passou a achar que tem alguém em algum lugar interessado no que se tem a dizer. Vale expor opiniões políticas, dicas profissionais, fotos de catorze adolescentes amontoados mostrando a língua no sábado passado ou, como era de se esperar, as próprias oscilações de humor e semelhantes mediocridades íntimas do cotidiano.
Claro que a Internet é um difusor fantástico de idéias, que aproxima as pessoas que têm computador através das fronteiras nacionais e que estamos muito melhor em termos de livre informação do que quando só dispúnhamos do telégrafo, do pombo-correio e da conversa com cafezinho. Só que, a meu ver, surge algo inteiramente novo quando cada vez mais gente, voluntariamente, decide expor sua vida pra quem quiser ver. No passado, temia-se um Big Brother totalitário fiscalizando a nossa privacidade; hoje, o indivíduo torna-se, orgulhoso, o seu próprio Big Me. E corajosamente! Tudo o que é exposto pode ser usado contra nós: perseguição política, seqüestro, fraude de cartão de crédito e golpes afins, intrigas afetivas e até, no pior dos casos, mal-olhado. Eu, por exemplo, poderia entrar em apuros com o desagradável professor Eduardo Siqueira, que me deu nota 7 injustamente na faculdade, sem nem me dar conta, só por causa de uma frase perdida em algum lugar de uma rede de dados varrida por dispositivos de busca automática.
Talvez um motivo menos óbvio para queimarmos todos os blogs em uma grande fogueira seja o de que nem todas as pessoas têm a capacidade de algumas amigas minhas de falar e ouvir (?) simultaneamente. O tempo que temos para navegar na Internet é finito (em geral, subtraído do patrão ou do sono), e é razoável supor que quanto mais eu passe escrevendo as baboseiras que só eu mesmo acho relevantes, menos sobrará para aprender com as dos outros. A partir de certo ponto há o risco de as trocas se tornarem cada vez mais superficiais e a coisa toda virar um grande experimento narcisista. Big Me is not watching you.
Dois mil e sete blogs denunciando o aquecimento global não salvarão o planeta, mas custarão o tempo de gente que poderia. Seis milhões de blogs defendendo os direitos dos palestinos não promoverão a paz no Oriente Médio ? enquanto você e eu, talvez, sim. É um progresso que em boa parte do mundo um bom número de pessoas possa expressar o que bem entende a baixo custo. Porém, se isso não se consolidar como um mecanismo de formação de redes de cidadania global e ação, continuaremos lamentado eternamente as mesmas mazelas da humanidade em textinhos metidos a esquerdista que mais visam a fomentar oportunidades de acasalamento.
Cá entre nós, não sei se você e eu seremos capazes de criar essas pontes. Quem sabe no futuro, quando as pessoas tiverem implantes cibernéticos.
Friday, June 01, 2007
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2 comments:
Desculpe não ter lido seu blog ultimamente. É que tenho estado muito ocupado com o meu próprio.
hehe..., piadinhas à parte, eu já decretei a morte da intimidade na internet. É cada coisa que me mandam, que fico pensando se o/a cara não acha que está escrevendo para si mesmo.
Alguém que conheço foi passar o fim de semana em cabo Frio e tirou... 400 fotos. É ou não um BigMe?
Pst!
Vai que o cara é meu leitor e descobre que você anda fazendo fofoca?
Mau-olhado na certa.
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